11 maio 2015
Como demitir pessoas aparentemente indispensáveis?

Como demitir pessoas que parecem ser indispensáveis?

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Como demitir pessoas que parecem ser indispensáveis?

Como demitir pessoas que parecem ser indispensáveis, mas que são indolentes e contaminam o ambiente? Sem dúvida essa é uma das coisas mais difíceis no mundo corporativo: Demitir pessoas. Mesmo os gestores mais experientes tem certa dificuldade de mandar as pessoas embora.

Certa vez enquanto era executivo de uma grande multinacional tive que demitir uma funcionária que estava já há algum tempo com muitas dificuldades de produção adequada e já não entregava quase nada. Após muitos e muitos feedbacks ela não melhorou.

Em um momento crise econômica a empresa pediu  cortes, então tive que escolher alguém da equipe, e demiti-a, era a opção mais lógica.

Ela se ajoelhou chorando e disse que eu sabia que a mãe dela estava com câncer e que eu deveria ter um pingo de consideração, que era desalmado, insensível e cretino. E continuou ali chorando por alguns minutos.

Difícil não é!? Mas, a despeito dos problemas pessoais, a vida empresarial segue com suas exigências.

“O mundo dos negócios é um mundo frio mesmo. As empresas não esperam você ficar bem, precisam tocar seus negócios independente dos seus problemas pessoais. 

Mas há situações ainda mais inusitadas, por exemplo quando um funcionário é meio indolente, mal-criado mesmo, indisciplinado e ainda por cima contamina os demais.

A questão é quando esta pessoa entrega um resultado acima da média dos demais e, além de ser uma referência para todos, parece ser indispensável.

Esse tipo de gente trabalha de forma mais eficiente, além de melhorar sobre-maneira a os resultados da empresa.
Demiti-lo poderia causar uma queda imediata na qualidade nos trabalhos, além de afetar o clima geral do ambiente de trabalho.

“O que fazer!? Aguentar a indolência e seguir com este funcionário ou mandá-lo embora?

Em 2007 em plena Liga Mundial de Vôlei, o técnico Bernardinho mandou embora o capitão do time, o Ricardinho. Até aí tudo bem, não fosse ele também o melhor jogador do mundo e um líder referenciado, inclusive no exterior.

Em todos os jogos até então o Ricardinho brilhara e era um líder nato, capaz de dar orientação e suporte para o time, mesmo em momentos muito difíceis, mesmo perdendo de lavada, ainda assim, conseguir levar o time à vitória, conquistou todos todos os títulos possíveis.

Contudo, em algum momento Ricardinho foi contaminado pelo vírus da arrogância e queria ser maior e melhor do que o próprio técnico e com isso ia contaminando a todos os demais membros do time.

Ricardinho acreditou ser indispensável e ficou cego com sua incrível habilidade como atleta, seu poder de liderança e influência. Mas, mesmo assim, nos bastidores da seleção brasileira, Bernardinho não titubeou, demitiu-o sumariamente.

Após 5 anos, eles fizeram as pazes e Ricardinho reconheceu que a liderança de Bernardinho e sua visão de conjunto estavam acima de qualquer jogador.

Este exemplo ilustra o que todo líder deve saber: Não existem pessoas indispensáveis. A instituição e o poder de conjunto devem ser maiores e melhores do que seus indivíduos. Caso contrário, você se tornará refém e com muita dificuldade conseguirá sustentar resultados no longo prazo.

Faça hoje estas perguntas a você mesmo:

  1. Tem gente que precisa demitir e tem dificuldades em fazê-los enxergar o poder do trabalho em equipe?
  2. Já tentou de tudo e eles não conseguem enxergar sua liderança?
  3. Eles são bons, mas contaminam os demais membros da equipe?
  4. Reclamam o tempo todo, não cumprem horários e parecem mesmo dispostos a diminuir sua liderança?
  5. No curto prazo há alguma sinalização de que não irão mudar de jeito nenhum?

Então você já tem todos os elementos e talvez falte-lhe coragem. Demita-o, mande-o embora hoje mesmo. Não espere nem mais um dia. Gente assim, precisa de tempo para amadurecer e talvez nunca amadureça de fato.

Um dia você vai agradecer a você mesmo por ter tomado esta decisão!

Como fazer isto? Infelizmente não existe nenhuma fórmula pronta. O que os bons gestores fazem é promover uma conversa honesta e nunca, jamais levar as coisas pro lado pessoal. Basta dizer que um ciclo chegou ao fim e que ambos precisam evoluir, o demitido e a empresa. Lembre-se, quando você demite alguém, você se torna imediatamente um representante oficial da empresa, então nada de lavar roupa suja.

Roupa suja ou seja lá qual feedback você tem pra dar, já deveria ter sido dado. Você já deveria ter alertado que as expectativas não estavam sendo cumpridas e que aquela era uma hora de cisão de contrato. Simples assim.

por André Medeiros, que aprendeu a duras penas que demitir é muito, muito difícil mas, também é uma habilidade essencial para qualquer gestor que se preze.

André Medeiros
About André Medeiros

André Medeiros é sócio na Thinkers - Consultoria em Gestão. Especializada em pequenas, médias e empresas familiares.

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