01 maio 2015
A hipocrisia de amar o que faz

A hipocrisia de amar o que faz e assim ser feliz no trabalho

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A hipocrisia de amar o que faz e assim ser feliz no trabalho

Ouvimos aos quatro ventos que para ser feliz no trabalho é preciso amar o que se faz.

Os gurus de plantão um dia falaram isso e agora virou uma espécie de mantra que os gestores de RH e os mais desavisados ficam repetindo por aí feito papagaios.

Será mesmo que é possível estabelecer uma regra onde todos devem ser felizes no trabalho, fazendo o que fazem?

A revista VocêRH traz algumas pesquisas interessantes em sua publicação de Maio/15:

Apenas 13% dos profissionais no mundo estão comprometidos de fato com seu emprego. E não é só a geração Y, que detém 55% do nível de “desengajamento”.

Os geração X ficam com 51% e os mais velhos com 49%. Ou seja, a verdade nua e crua é que a grande maioria das pessoas está pouco se lixando para que rumos a empresa está tomando.

Em uma outra conta interessante, 54% se dizem realmente FRUSTRADOS com o trabalho. Interessante falar de: “Ame o que faz e nunca precisará trabalhar na vida”. Já ouviu isso por aí?

A verdade nua e crua é que no mundo capitalista de hoje, os negócios parecem estar mais interessados em explorar a mão de obra do que realmente deixar as pessoas felizes.

E o que há de errado nisto? Pela ótica do capitalismo, nada, mas pela ótica prática, basta ver os números lá em cima.

Todos veem por aí aquelas frases prontas de facebook: “Do what you love. Love what you do” (DWYL), com aquelas imagens de executivos pulando alto e com sorrisos Colgate. Em bom português: Faça o que você ama ou será considerado um fracassado. Será mesmo que isto é genuíno ou uma exceção da exceção?

Fiquei aqui pensando em algumas atividades e não necessariamente em profissões para avaliar como alguém poderia ser genuinamente feliz fazendo o que faz:

  1. fazer conciliação bancária
  2. fazer cotação de preços
  3. fazer fechamento contábil e virar noites
  4. escrever peças de ctrl C + ctrl V em escritórios de advocacia
  5. ir em audiências como preposto
  6. fazer audiências trabalhistas para causas perdidas
  7. dar aula para adolescentes indolentes, num sistema educacional falido
  8. fazer auditoria com base em check list (riscando quadradinhos)
  9. ligar para clientes para fazer cobrança
  10. trabalhar em call center com aquelas abordagens mecânicas e decoradas
  11. segurador de misturador de concreto (vi essa função na usina de Belo Monte)
  12. faxineira de quarto de motel
  13. limpador de banheiro de rodoviária (no Brasil)
  14. fritador de hambúrguer
  15. caixa de supermercado
  16. fazer contagem de inventário em supermercado (eu já fiz bastante na vida)
  17. trabalhar no IML como “coletor” de corpos, inclusive aqueles “moídos” em algum acidente

Pelos exemplos acima, que poderiam ser centenas mais, pode-se ver que sempre irão existir atividades que não são um verdadeiro sinônimo de realização profissional. Mas, que são extremamente necessários e vitais para o mundo.

Mas será que as pessoas não estão trabalhando nele por necessidade? Ou será que é mesmo possível amar de paixão atividades tão exaustivas e em alguns casos “mal cheirosas”?

De fato, o mercado de quando em quando aparece com uns chavões que viram mantras e que colam feito superbonder. Modas que as vezes fazem mais mal do que bem.

Em nossa opinião na maioria das vezes vira um jugo, um peso na consciência e uma espécie de sentimento de fracasso, caso você não esteja feliz no trabalho fazendo o que faz!

  • E você aí no seu trabalho?
  • Está trabalhando por necessidade ou por ser apaixonado pelas atividades que faz?
  • Conhece alguém que trabalha fazendo o que você faz e é genuinamente realizado e feliz?

por André Medeiros que não acredita muito nas modas de mercado, mas acredita que gastar a maior parte do seu tempo fazendo algo com um propósito claro e que traga alguma visão de futuro, pode fazer toda a diferença entre ser uma pessoa feliz ou um medíocre que trabalha apenas por dinheiro.

André Medeiros
About André Medeiros

André Medeiros é sócio na Thinkers - Consultoria em Gestão. Especializada em pequenas, médias e empresas familiares.

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