06 jun 2015
A culpa não é só da geração Y

A culpa não é só da Geração Y

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A culpa não é só da Geração Y

Para quem trabalha como consultora na área de Pessoas como eu, ouvir reclamações sobre a Geração Y é quase rotineiro. Os gestores, empresários, professores, todos reclamam das exigências em sua grande maioria absurdas, da falta de comprometimento, da imaturidade, da falta de foco,  do imediatismo, e sei lá mais que “ísmos” a Geração Y possa ter. 

Parece que o respeito aos mais velhos e compromisso não é o forte desta geração. É verdade? Como lidar com esses jovens que estão a um google de qualquer coisa?

Tenho trabalhado há muitos anos com profissionais dessa geração, e posso garantir que são poucos os que de fato querem chegar a presidência da empresa com apenas 2 anos de formado! Gerou-se um certa estigma, um mito em torno de um comportamento que foi caricaturado, e agora muitos falam com certo preconceito sobre como esta geração lida com expectativas de carreira, com avaliações, remuneração e tudo o mais o que orbita a gestão das empresas.

Quero propor uma reflexão, que a organização faça também uma autoanálise: será mesmo que as exigências da Geração Y são tão absurdas assim?

Nunca antes na história tivemos profissionais tão qualificados! 

Olhando para a realidade aqui da capital de São Paulo, provavelmente a maioria dos profissionais de 30 anos que você conheça hoje, já tenha feito graduação, pós-graduação, tenha inglês mesmo que intermediário, ou algum curso específico para sua área. E é justamente por esse motivo que tal profissional não acha justo ter como remuneração inicial de R$ 1.400,00. Obviamente que a velha lei da oferta e da procura falam mais alto, ou seja, o próprio mercado se auto-regula quando falamos de médias salariais, mas acredito fielmente que isto é uma crueldade tremenda, para tantos anos de dedicação e estudo.

A questão é que, a grande maioria das empresas não estão preparadas para receber profissionais assim, pois:

  1. Eles (a Geração Y) querem horários alternativos ou home office – as empresas não conseguem controlar o trabalho nem de quem está lá de corpo presente, quem dirá em casa!
  2. Eles querem um plano de carreira com pré-requisitos claros para subir de cargo e de remuneração (ter pós-graduação, inglês, quantos anos de experiência, etc) – algumas empresas tem gerentes e diretores que se formaram em 1980 e depois disso nunca mais entraram em uma universidade.
  3. Eles querem uma remuneração justa, baseada na entrega – algumas empresa tem jogos políticos que importam muito mais do que quem de fato entrega resultados. Para os geração Y, isto é frustrante. 
  4. Eles querem ter um mentor dentro da empresa, alguém qualificado, que possa direcioná-los em relação à carreira, com feedbacks honestos e constantes – algumas empresas não tem ninguém apto a fazer isso, além do que, as avaliações de performance passam a ser o momento de lavar a roupa suja de todo um ano.
  5. Eles querem treinamentos frequentes, reciclagem e aperfeiçoamento – a grande maioria das empresas quer reduzir custos e um lugar comum de se começar é justamente a área de gestão de pessoas.

Estes exemplos infelizmente são parte do cotidiano de muitas empresas por onde presto consultoria. É comum vermos empresas que querem profissionais que se submetam, que apenas executem, que se calem diante do que é imposto e pronto! Estes profissionais nasceram na era da informação, muita informação. Trocar ideias, discutir regras e questionar a liderança é algo comum e os gestores das gerações anteriores devem aceitar este fato e lidar com isto de forma natural e madura.

Então, antes de sair por ai reclamando que a Geração Y é cheia de mimimi, é bom refletir se sua empresa não está sabendo lidar com esse pessoal cheio de energia, as vezes indolentes, mas com muito conhecimento para fazer do ambiente de trabalho um lugar mais eficiente. 

É sempre bom lembrar, a maturidade profissional nada tem a ver com faixa etária e sim com formação, personalidade, educação e, pasmem, inteligência emocional. Ter equilíbrio e aplicar a senioridade faz toda a diferença.

Muitas pessoas se escondem atrás de protocolos e regras corporativas de duas décadas atrás, quando, na realidade, a melhor maneira de lidar com jovens, mesmo os difíceis, é dar um feedback honesto. Para lidar com a Geração Y basta ir direto ao ponto, sem rodeios – em vez de citar linhas do contrato de trabalho ou dos procedimentos da empresa. 

Na minha experiência, a maneira de lidar com situações difíceis, ou de comportamento dos jovens da Geração Y, é fazer o oposto do que as eles esperam, basta iniciar a conversa sobre expectativas e resultados, confrontar isto, e nunca, jamais levar a conversa e o “approach” pro lado pessoal. Assuma o controle, tenha coragem e vá direto ao ponto.

Há alguns anos escrevemos uma revista: Geração Y! Quem aguenta eles? Uma análise sobre como lidar com o potencial dos jovens. Uma espécie de viagem sobre as peculiaridades de cada geração, suas contribuições para a sociedade e principalmente como uma interfere na outra. Vale a pena dar uma olhada.

por Cinthia Cruz

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